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Prelúdio
Da janela, eu vejo, ao longe nuvens densas, assustadoras. De um tom cinza-fúnebre, lembram bombas avassaladoras.
Reflexo da dor que me assola, ou sinal do fim dos tempos. Logo a cinza cobrirá meu corpo, trazida pela força dos ventos.
Cansado, eu olho para o alto, o dia não consegue amanhecer. Sozinha, uma estrela tenta resistir, brilha ofuscada antes de falecer.
Lágrimas caem dos meus olhos, rolam tristes pela minha face. A estrela treme lá no céu, que bom se ela desabasse.
Um terrível frio se apodera de mim, tento em vão me aquecer. Então percebo, você não está aqui, me esqueci de te esquecer.



14.10.2004

Poema "Inlucidez"

Inlucidez
Sob o efeito do álcool, minha lucidez se esvai. Meus passos se atrapalham, mais um bêbado que cai. A bebida me entorpe, mas também me acalma. Sou um embriagado sozinho há muito tempo sem alma. Pensamentos corroem a cabeça, nem se mais se eu existo. Tudo está turvo, obscuro, nem sei por que ainda insisto. O horizonte não existe, só um amontoado de cores. Crueis, tentam me enganar, se parecendo com ex-amores. Mergulho nesta inlucidez, conto meus dias para o fim. Só mesmo minha inlucidez pra te trazer de volta pra mim.